O Blog do Mago Branco.

Cada vez mais branco!

28 Outubro, 2005

:: Preto, forte e gostoso...

Como pode ser lido no cabeçalho deste weblog, deveria haver por aqui “alguma ciência”. Como desde 16 de setembro de 2005 o weblog existe e ainda não falei nada acerca de ciência, sinto que é um excelente momento para começar.

Como aprecio muito o café, vou fazer uma apologia ao mesmo. Abaixo estão as páginas de uma matéria sobre os benefícios que o consumo de café pode trazer aos mortais. Ela foi descaradamente digitalizada à partir da edição de agosto de 1994 da revista Superinteressante. Espero que os apreciadores de um bom café também apreciem a matéria. Basta clicar nas figuras que uma versão maior (e legível) da matéria se mostrará. Como a revista é antiga, tem uma parte meio difícil de ler. Mas com um pouquinho de fé...



25 Outubro, 2005

:: Exerçamos a cidadania...

Tal qual o governo de nosso país, agora também estou dando-lhes a oportunidade do voto. Com duas diferenças básicas:

- Ninguém é obrigado a votar;
- Sua opinião fará alguma diferença.

Ali no canto direito, abaixo das notícias.


24 Outubro, 2005

:: Eu quero sempre mais!

Caros, gostaria de externar minha gratidão aos queridos leitores deste blog. Imaginem vocês que este modesto weblog tem cerca de 50 acessos semanais, na baixa estação. Tem semana que se chega perto dos 150 leitores, o que vai muito além das minhas mais otimistas previsões. Claro que este grande número de acessos só acontece quando eu caio de bicicleta ou fico trancado no apartamento por causa do Véi Lázaro (Episódio 1 e Parte II - A Missão), mas isso não tira a valide das visitas.

Quando comecei a escrever este blog, imaginei que apenas minha mãe e um punhado de desocupados o leria. Felizmente, muita gente ocupada tem guardado alguns segundos entre suas tarefas para dar uma passadinha e ler.

Mas como ser insaciável que sou, quero mais. Vejam só, nessa semana:

50 acessos e 2 comentários.

Isso quer dizer que 48 pessoas leram e não comentaram. O motivo do não comentário pode ser inércia, plena concordância, et cetera... Mas, algumas pessoas alegaram que não estão encontrando o link onde se deve clicar para comentar. Como esta falha é de minha total responsabilidade, vou explicar agora como fazê-lo:

     1. Depois de ler o texto, no finalzinho do mesmo, você verá um pequeno link onde se lê Comments. Ele é idêntico ao que aparece na figura abaixo, destacado pela elipse vermelha, exceto pelo zero, que vai sendo incrementado a cada comentário realizado.


Isso quer dizer que nem sempre se verá um zero onde está o zero da figura. Pode ser 1, 2, 3... Eu gostaria mesmo que fossem 50, mas, em suma, basta clicar em Comments.

     2. Você será levado a uma janela que contém um formulário como esse abaixo.


Aí é mais fácil que bater em irmã caçula. Basta escrever o que você pensa no campo maior: Pode ser a lista de compras, recados pra namorada, et cetera...
Pode inclusive ser algo acerca do texto que você acabou de ler!

Depois escolha sua identificação.

     - Blogger é para quem tem weblog no blogspot;
     - Outro é pra qualquer pessoa postar, deixando seu nome;
     - Anônimo é auto-explicativo.

Então copie as letrinhas tronchas azuis no último campo e clique em Publicar seu comentário. Tal qual os números ao lado de Comments, as letrinhas tronchas podem formar outra palavra incompreensível, ou mesmo serem de outra cor que não azul.

Viu? Nem doeu!

O Weblog do Mago Branco agradece sua opinião. Volte sempre!


:: Coisas que, quando postas juntas, não fazem nenhum sentido...

Recentemente assisti a um filme no cinema. Ele conta a história de dois irmãos que nascem pobres, passam por dificuldades durante a infância, mas aproveitam-se de seus talentos e conseguem faturar muito dinheiro quando crescem. Familiar? Mas não se trata de Dois filhos de Francisco. Assisti Os Irmãos Grimm, história envolvendo os irmãos que inventaram histórias infantis como Rapunzel, et cetera. O filme é bom, tem uns efeitos legais, os atores são bons. Não achei fantástico porque entrei na sala com a idéia de que se tratava de uma biografia, e o filme é fantasioso. Fantasiosíssimo. Há uns 15 anos atrás, eu teria adorado o filme dos irmãos Grimm. Mas a atuação da Derci Gonçalves foi divina!

Eu entendo o ponto de vista dos roteiristas, afinal os irmãos Grimm viviam de fantasia. Entrei com a expectativa errada do filme na cabeça. Talvez, se eu tivesse a expectativa certa, assistiria O Senhor da Guerra.



O resultado do referendo me surpreendeu. Pensei que o SIM ganharia, sinceramente.
Justifiquei a palhaçada e certamente teria votado em branco se fosse o caso. Não sou contra nem a favor, muito pelo contrário. Coloco-me radicalmente contra qualquer radicalismo.

A verdade é que cansei de votar , e não voto mais nem pra líder de turma. Meu título de eleitor é apenas mais um papel inútil junto aos muitos que vagueiam na minha carteira, tal ticket de estacionamento de shopping ou extrato bancário do ano passado.

Mas, como otimista, apurei resultados muito positivos acerca do referendo. Os weblogs que leio, pelo menos, andam hilários... Citando a Muié do mei do mato:

Tô tão passada.
Acabei de ler que a maioria dos caras que votam Não são os mais escolarizados, os mais ricos. Quer dizer, aqueles que estão lá se danado entre balas perdidas, votam mais SIM do que NÃO. Cê não quer que eu volte.
Os ricos não querem perder seu direito básico de meter um tiro na cara de alguém no supermercado, de meter um trêsoitão na cara de um babaca que o olhar feio no trânsito, de dar um revólver pro filhinho do papai entrar na bote sem medo de broxar no final de noite e quem sabe meter o revólver na cara de um mané que olhar pra "sua" namorada.
Estou tendo um dejá vù.
Sinto-me às vésperas da eleição do Collor quando não acreditava que meus entes queridos e amigos mais chegados acreditaram naquele bucéfalo.
Fico envergonhada de ver tanta gente boa indo no bonde da loirona do NÃO.
Me lembra também a reeleição do Bush. Agora eu não tenho mais pena da América, eles escolheram permanecer na obscuridade.
E o mundo vai acabar assim, cheio de gente ignorante dando tiros "defensivos", transformando reservas em estacionamentos azulejados e votando no cara do marketing que promete de um tudo que interessa ao freguês (...)

(...) Quando vejo a loura do NÃO, fico viajando e imaginando aquela senhora deitada em sua cama, de babydoll com o Onofre babando ao lado dela e levantando porque ouviu um barulho lá embaixo. Ela pega seu trêsoitão no criado mudo e desce as escadas pintadas de branco, com carpete no meio, vai até a cozinha e dá de cara com um meliante todo vestido de preto, com um cinto cheio de ferramentas e uma metralhadora pendurada. O Onofre lá, roncando. E a Kate Mahoney do NÃO ali segurando firmemente sua arma e falando: “perdeu!” pro bandido.
O bandido certamente largaria sua metralhadora, levantaria as mãos. Ela com o trêsoitão na fuça do bandido, pega o braço dele com o outro braço dela, torce pra trás, ele urra de dor, ela o joga no chão, aponta a arma pra sua cabeça, dá um cutucão com a sola do pé na nuca dele e liga pro 911. Espera a polícia chegar e diz ironicamente que o serviço está feito.


Mas não é só isso! Vejam os efeitos referendísticos no weblog do William:

Ontem eu acordei de paletó e gravata. Como já passava do meio-dia, resolvi votar daquele jeito mesmo, só que de sandálias havaianas. Chegando lá eu fiquei incrível com a quantidade de ninguém que estava na minha seção. Ninguém foi votar e levou toda família junto. A minha zona eleitoral nem de perto lembrava o Timor Leste, como vinha acontecendo nas eleições anteriores. E, como eu imaginava, o NÃO prevaleceu, em parte pelo fato de pessoas como Luiz Melodia terem votado NÃO porque NÃO queriam mais armas sendo vendidas no país. E, com a multa custando R$ 3,00, muita gente simplesmente resolveu não participar dessa palhaçada toda.



Querem apostar quanto que na próxima novela da Rede Globo vai ter gente falando inglês? Não se assuste quando encontrar marines entrincheirados no seu quintal...


19 Outubro, 2005

:: Harmônicos e girantes

Hoje pela manhã. Laboratório de Instalações Industriais. Aula de eficiência energética. Experimento com lâmpadas florescentes compactas. Osciloscópio ligado e mostrando as formas de onda de tensão e corrente do dita lâmpada compacta. Falei:

- Como vocês podem ver na forma de corrente aqui na tela do osciloscópio, apesar do seu consumo baixo, as florescentes compactas podem trazer problemas relativos a um fenômeno desagradável muito em evidência atualmente...

E um esperto falou:

- Os furacões?

- Não. Os altos níveis de harmônicos.

- Ah, tá... Pensei que fossem os furacões.


Eu mereço! O pior é que numa hora dessa não consigo prender o riso e manter a moral...


:: Esta foto [Tradução de 'This Picture', atendendo a pedidos...]

Eu seguro uma foto da menina do cinzeiro
Enquanto o cigarro queima no meu peito
Escrevi um poema que descreve seu mundo
Que colocou nossa amizade em cheque
E tarde da noite eu estava de quatro
Ela costumava ver-me beijar o chão
O que está errado com essa foto?
O que está errado com essa foto?

Adeus menina do cinzeiro
Floco de neve proibido
Cuidado com esse mundo problemático
Preste atenção nos terremotos
Adeus às feridas abertas
Aos semáforos quebrados
Você sabe que nós sentimos falta dela
Sentimos falta de sua foto...

Às vezes o destino está escrito
Nós o desintegramos
Com medo de ficarmos velhos
Às vezes o destino está escrito
Nós o assassinamos
Com medo de ficarmos velhos

Adeus menina do cinzeiro
Fruto angelical
Cuidado com esse mundo problemático
Controle sua boca
Adeus às feridas abertas
Adeus e tudo mais
Você sabe que nós sentimos falta dela
Sentimos falta de sua foto...

Às vezes o destino está escrito
Nós o desintegramos
Com medo de ficarmos velhos
Às vezes o destino está escrito
Nós o assassinamos
Com medo de ficarmos velhos

Segure-se
Mesmo que tentemos
Já foi
Segure-se
Mesmo que tentemos
Já foi

Às vezes o destino está escrito
Nós o desintegramos
Com medo de ficarmos velhos
Às vezes o destino está escrito
Nós o assassinamos
Com medo de ficarmos velhos

Não conseguimos parar de envelhecer...




Porque Placebo é muito bom...


15 Outubro, 2005

:: This picture.

I hold an image of the ashtray girl
As the cigarette burns on my chest
I wrote a poem that described her world
That put my friendship to the test
And late at night
Whilst on all fours
She used to watch me kiss the floor
What's wrong with this picture?
What's wrong with this picture?

Farewell the ashtray girl
Forbidden snowflake
Beware this troubled world
Watch out for earthquakes
Goodbye to open sores
To broken semaphore
We know we miss her
We miss her picture

Sometimes it's faded
Disintegrated
For fear of growing old
Sometimes it's faded
Assassinated
For fear of growing old

Farewell the ashtray girl
Angelic fruitcake
Beware this troubled world
Control your intake
Goodbye to open sores
Goodbye and furthermore
We know we miss her
We miss her picture

Sometimes it's faded
Disintegrated
For fear of growing old
Sometimes it's faded
Assassinated
For fear of growing old

Hang on
Though we try
It's gone
Hang on
Though we try
It's gone

Sometimes it's faded
Disintegrated
For fear of growing old
Sometimes it's faded
Assassinated
For fear of growing old
Can't stop growing old...




Porque Placebo é muito bom...


:: Véio lázaro II. A missão.

Dessa vez foi o fim. Se você não leu a prima parte, leia aqui.

Acordei hoje todo serelepe, tomei um banho, troquei de roupa e peguei Bromélia para irmos ao centro de cidade consertar meus óculos de grau, que quebrei em Jacumã.

Quando chego no portão, o maldito havia trocado os cadeados de novo, e o fez enquanto eu dormia. Fiquei muito puto... Puto mesmo, com todas as letras em maiúsculo. PUTO, assim.
Trancado dentro de casa, dei a sorte de o vigia da rua estar passando na minha porta no exato momento. Gritei:

- Ô Fulano! Dá uma interfonada ali na casa do Véi Louco e pede pra ele vir aqui me abrir o portão!

- Rapaz, eu vou, mas como hoje é sábado eu tenho certeza que ele está na fazenda e só chega à noite.

O fato é que o louco do vigia nunca voltou. Contei até 10. Depois até 20... Não adiantou nada, eu continuava PUTO. Peguei o celular e liguei pra casa dele. Uma mouca atendeu:

- Alô?

- Me chame o Lázaro, por favor, por favor...

- É o quê?

- EU QUERO FALAR COM O VÉI LÁZARO!

- Ele tá não. Foi pro sítio e só chega de noite. E a menina ta dormindo.
(Vai saber quem porra é ‘a menina’!)

- SOU INQUILINO DELE. ELE TROCOU OS CADEADOS AQUI DA MINHA CASA E NÃO POSSO SAIR. VOCÊ TEM O CELULAR DELE?

- Tenho não. E a menina ta dormindo. E o celular num pega lá na fazenda não... (Nessa hora me segurei pra num perguntar quem é essa ‘menina’ a qual nunca me referi.)

- E EU VOU FICAR TRANCADO EM CASA O DIA TODO?

- Num sei môfí... Ele levou a chave?

- MINHA SENHORA, É POR ISSO QUE PRECISO DO CELULAR DELE!

- Apois, num pega lá no sítio não...

- MUITO OBRIGADO!

Então gritei pelo vizinho, e quando ele saiu pedi que me ajudasse a passar Bromélia por cima do muro. Foi ridículo roubar minha própria bicicleta, mas é a vida.
Depois pulei o muro e fui cumprir minhas missões.

Quando eu for almoçar, pularei o muro de novo. Mas Bromélia vai ficar aqui no Laboratório mesmo, pelo menos até eu conseguir encontrar o véio energúmeno e destrocar os cadeados...


12 Outubro, 2005

:: Passar uma tarde em Jacumã...

Não, amigos, esse weblog não foi abandonado! Demorei a postar porque passei o feriadão (?) na praia de Jacumã.

Bem, primeiro vou explicar o feriadão: a pessoa iluminada que fundou CG o fez no dia 11 de outubro de um ano qualquer. Não sei se por acaso ou de propósito, mas o fato é que temos dois feriados coladinhos, e com isso, as chances de feriadão aumentam muito. Foi o que aconteceu esse ano, então aproveitei para conhecer essa praia maravilhosa do litoral Paraibano.

Como se não bastassem os dias de completa desconexão com o mundo, ainda foi completamente de grátis! Só precisei comprar o protetor solar, e nada mais. Fiquei na casa de praia dos pais de Kika (minha proprietária), com sua família e o namorado de uma de suas irmãs (e grande amigo meu). Fomos no sábado pela manhã e voltamos no começo da tarde de quarta. As praias são muito belas e convidativas, é verdade. A rotina do feriadão resumiu-se a:

Ser acordado (explico abaixo), comer, ir à praia, comer, ir à praia, comer, ir à praia, comer, ir à praia, comer, ir à pracinha à noite pra ver o movimento, comer, ler e dormir. Não necessariamente nessa ordem. Às vezes eu comia duas ou mais vezes antes de fazer outra coisa.

Minha querida sogra não permitiu que ninguém tivesse sequer lembranças do que vem a ser fome. A mulher cozinha muito bem, e em larga escala. E não podia sobrar nada de uma refeição pra outra! Engordei uns 3 quilos, pelo menos, e já vim postar isso aqui com Bromélia, pra amenizar a culpa. A casa deles fica a uns 40 metros da água, e você dorme ouvindo as ondas arrebentarem-se na areia. Excelente!

Parece então que tudo foram flores, não é? Não. Como sempre, existem estraga prazeres...
Imaginem que, vizinho à casa dos meus sogros existe um prédio de três andares, e que estava infestado de evangélicos. Nada contra a classe, cada um busca a salvação da forma que mais lhe parecer conveniente (inclusive tenho muitos amigos evangélicos e protestantes), mas neste caso particular tratava se de alienados de Jesus. Não sei qual a facção deles, mas suspeito que fossem da Igreja dos Farofeiros de Todos os Dias.

Às 6:15, pontualmente, todo santo dia, um filho de Cristo destes começava a gritar desesperadamente numa contagem regressiva. Era o galo da turma, acho. Ele subia na sacada do terceiro andar e começava: 10, 9, 8, 7... E assim por diante. Fazia isso pra acordar os outros 59 hospedados no prédio. Sim, eram uns 60, pelo menos.

Nessa hora da contagem regressiva eu entendia melhor porque devemos votar “Sim” no referendo do desarmamento... Se eu tivesse uma arma, certamente seriam 60 crentes a menos no mundo, e a praia de Jacumã seria conhecida como Areia Vermelha dali pra frente. Mas não era só isso...

6:30. Todos estão acordados e já em trajes de banho, num conversê sem fim e falando alto pra c@#a|ho, enquanto esperavam a descida do Pastor para iniciar as orações do alvorecer e depois entoar os cânticos pré-café-da-manhã.
Nesse enquanto o Pastor não descia, tinha ainda um irmão que fazia questão de dar gritos animalescos, como um Ogro (daqueles do Senhor dos Anéis) no cio. O cara gritava alto pra cacete, e nos primeiros dias eu imaginei que seria um caso de deficiência mental, mas só até a hora que o vi pessoalmente e notei que era só vontade de aparecer mesmo.

Depois de entoados os cânticos pré-desjejum, sempre acompanhados de violão, percussão e vozes afinadíssimas das solistas (Credo! Só de lembrar me arrepio...), eles ia finalmente comer. E nessa hora eu conseguia voltar a dormir, pois o nível de ruído diminuía significativamente quando eles estavam de boca cheia.

7:00. Acabou o desjejum (e meu sono também). Alguns dos irmãos iam à praia e outros, achando pouco o barulho feito até então, ligavam o som de um dos carros, onde acontecia uma sucessão de sucessos que se sucediam sucessivamente sem cessar. Vários hits como o Sambão de Jesus, o Rock de Jesus, a Polca de Jesus, o Heavy Metal de Jesus, o Merengue de Jesus, o Funk de Jesus, o Baião de Jesus, o Bolero de Jesus, o Rap de Jesus, dentre outros que não lembro agora. Esse último, o Rap, era um medley com paródias de vários outros Rap já originalmente horríveis gravados por MC’s menos creditados. Independente do ritmo, as letras eram apenas o revezamento de algumas 8 ou 10 frases predefinidas, e todas rimas pobres.

Na sacada do terceiro andar, ao lado de onde o galo cantava, havia ainda um cartaz de uns 10 m² onde se via a propaganda de uma dessas bandas evangélicas, e temo que os integrantes estivessem lá amontoados também.

12:30. Os irmãos reuniam-se novamente no prédio pra entoar os cânticos pré almoço. Tínhamos então mais meia hora de paz. Depois vinham mais hits.
Lá pras 19 horas tinha a sessão de cânticos pré-jantar, e depois da janta eles ficavam cantando pra passar o tempo, até a hora de dormir, no melhor estilo Lual MTV, só que com músicas evangélicas.
No primeiro dia, ao ouvir o galo cantar, fiquei puto mais me contive. Levantei-me, troquei de roupa e fui correr na praia. Carpe diem, né mesmo? Do segundo dia em diante, já foi ficando mais difícil tolerar, então eu simplesmente gritava pra o FDP calar a boca...

Por várias vezes meus sogros ensaiaram uma visitinha ao prédio pra falar com o tal Pastor, mas ele conseguiu não estar presente em todas as tentativas. Não me perguntem como... A solução encontrada pra rebater foi ligar o som com um Blink 182, Linkin Park e afins. Elas adoravam!

O mais legal é que o dono do prédio apareceu na segunda-feira e estranhou, pois havia alugado um único apartamento pra seis (não 60) pessoas. Acontece que os irmãos são espertos e alugaram o primeiro andar. Em seguida, reclamaram que havia infiltrações no teto, e pediram a chave dos outros dois andares pra checar os registros... E o trouxa do proprietário entregou! Não sei como se resolveram, mas certamente o dízimo de alguns outros irmãos deve resolver prontamente a dívida.

Fora esses pormenores, o feriadão foi fantástico! Muito beijo, muito Sol, muito mar... E ainda por cima saí completamente evangelizado.

PS: Vejam esse link que é muito bom... Veja Online: Segunda Guerra Mundial.


04 Outubro, 2005

:: You shot me down... I hit the ground...

[Sinceridade? Estive pensando agora se deveria realmente manchar meu querido weblog com esse tema... Mas escrevi isso ontem, tomado por uma ira razoável, então lá vai!]

Depois de todo o colonialismo, entreguismo e perturbação das relações diplomáticas entre Brasil e México proporcionados pela novela América, a Rede Globo de Televisão conseguiu o que parecia impossível: superou-se em matéria de ridículo.

Eu fico me perguntando porque agora toda novela tem algo a ver com o país sem noção. Será que a Rede Globo firmou um contrato de venda de novelas com alguma emissora de lá? É a única explicação que vejo, pois aconteceu algo parecido naquela época em que só se fazia novela de italianos.

Como sou pessoa justa, estou neste momento exato assistindo aos primeiros minutos do primeiro capítulo de Bang Bang. Pra ser sincero acabo de desligar a TV, porque o que constatei nestes poucos minutos me convenceu. Até a novela começar, assim, só pelas chamadas, eu ainda alimentava alguma esperança de que se guardassem características das novelas de época, que na minha opinião são as que fazem menos mal ao povo. Escrachada, sim, mas de época, com aquelas roupas bem compostas e um português mais bem falado, para que o pobre Drummond não se debata em sua cova toda noite. Mas logo vi que não. Eles resolveram reunir o pior dos dois mundos: estão enchendo a cabeça do povo com cultura dos nossos colonizadores, sem abrir mão do vocabulário coloquial contemporâneo, que maltrata a língua portuguesa.

Pra resumir, a novela começou com um desenho animado onde uma família almoçava numa mesa ao ar livre no meio do deserto, em frente a um casarão. Entendam: uma mesa ao ar livre, meio-dia, no deserto. Entenderam? Bom.

Fora isso, logo nas primeiras tomadas aparece a maravilhosa Fernanda Lima enfiada numa calça de couro que, cá pra nós, tão apertada que se ela soltar um pum faz uma bolha. Foi nessa hora que percebi que não seria uma novela com a mínima característica “de época”, porque além dos trajes moderníssimos ela usava uns brincões dourados e – pasmem! - óculos escuros. Ah! E com um par de armas na cintura. É a Rede Globo colaborando com o referendo do desarmamento! Às vésperas da votação mais importante que já vi nesse país (porque eleições sempre foram piada), a Globo lança uma novela onde até as mulheres andam armadas. Mas a Fernanda Lima estava linda, como sempre. Não interpretou essas coisas todas até onde assisti, mas estava linda... Eu gostava mais dela no Fica Comigo da MTV.

Pra completar, a novela é chamada Bang Bang tem:

- Uma vassala baiana e negra, uma vassala índia, uma vassala mexicana e um menino negro flanelinha de cavalo que fala gírias de favela e não consegue andar na bicicleta que possui. Viva o preconceito!

- Redes, dessas de dormir, no velho oeste.

- Tudo e todos têm nome em inglês e todo mundo fala português.

- Travestis. Logo três! Duas de peruca e outra de máscara e capa preta. Nada contra os travestis, pois cada um tem que procurar sua felicidade da forma que achar mais conveniente... Mas os travestis desta novela mancham a honra dos travestis do mundo real.

E tudo isso nos primeiros 15 minutos da história! Até aí eu tava me segurando, graças à gostosa da Fernanda Lima e sua calça que delineava até os lábios. Mas eis que conseguiram estragar o que se salvava na novela. O tema da Fernanda Lima é um rap que só pode ter sido cunhado nas profundezas do inferno, e é cantado pelo próprio demo! Desliguei a TV... A-ca-bou!

Uma fonte que não lembro agora me disse que a novela teve várias cenas filmada em um deserto de um país daqui da América do Sul, do qual não lembro o nome também. Mas, me digam, por favor: Não seria muito mais barato, culturalmente mais rico e infinitamente mais patriótico se essa novela fosse filmada no sertão, e em vez de velho oeste tivéssemos cangaceiros? Que situação tão mirabolante poderia ocorrer no velho oeste do país sem noção e não poderia no nosso velho oeste nordestino?

Plim-plim!


:: (Sábado e) Domingo no Cinema

Esse final de semana foi muito cinematograficamente importante. Assisti:

- A Supremacia Bourne – Continuação da história do desmemoriado ninja que mata metade do elenco pra descobrir a verdade sobre si mesmo. O enredo é bem forçado, mas o filme vale pela pancadaria e violência.

- Lutero – Conta a história do próprio. Agrega valores históricos e tem um final relativamente feliz, apesar de tanta tragédia na revolução. Enche-me de esperança ver pessoas revolucionando padrões ditos inquestionáveis. Precisamos de um Lutero aqui no Brasil. Ou melhor, dois! Um no Congresso Nacional e um na Igreja Universal, pelo menos. Tá bom, tá bom... Precisamos de uns 50 Luteros!
Ocorreu-me agora: será o Enéas o nosso Lutero?

- Menina de Ouro – Quase choro. Ganhou vários Oscares, mas achei deveras tristonho. O elenco é maravilhoso e tem tomadas muito bem boladas, mas, insisto, é muito triste. Talvez tenha ganhado os prêmios por pena dos jurados pela tia boxeadora.

- Efeito Borboleta – Divino. Se um dia eu fosse fazer um filme, seria assim. A originalidade da história é fantástica e o final não é meloso nem holywoodianamente perfeitinho. Excelente!

Efeito Borboleta e tão bom que até estou gostando da música do Oasis [Stop Crying Your Heart Out] que está na trilha sonora da película. Eu não gostava da referida música, não sei porque. Agora regularmente, de meia em meia hora, em doses homeopáticas.

Fora o cinema, aproveitei o tempo livre do final de semana pra aparar a juba. Nessas horas, residir à Margem Pedregalesa (região também carinhosamente apelidada de Faixa de Gaza) tem suas vantagens... Em que outro lugar do mundo se encontraria um barbeiro que corta cabelo por R$ 4,00 e, dentro de sua própria barbearia, faz loteria e negocia passarinhos? Você pode cortar o cabelo, fazer a barba ao som dos pássaros, comprar um Canário do Reino na saída e ainda fazer uma fezinha no jogo do bicho!

Quanto à postagem do questionário, eu sabia que ninguém leria por inteiro. Bem, minha mãe leu... Completo! Talvez, se eu soubesse deste detalhe teria respondido algumas questões de forma mais diplomática, mas enfim...


 






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